sábado, 16 de agosto de 2014

CIRILO, UM JOVEM MÁRTIR

CIRILO, UM JOVEM MÁRTIR
Até as próprias crianças não foram isentas dessa perse­guição, e muitas, pela graça divina, testemunharam uma boa confissão. Cirilo de Alexandria, um rapaz de tenros anos, foi um destes; e a realidade da sua fé era tal, que nem ameaças nem bofetadas foram capazes de o abalar, nem mesmo a perspectiva de uma morte lenta e dolorosa. Foi insultado por crianças de sua idade, e até o pai o expulsou de casa por ele não querer renunciar à sua fé e reconhecer o imperador como Deus. A sua conduta na presença do ma­gistrado foi igualmente interessante e conscienciosa: "Rapaz", disse-lhe o bondoso pagão, "estou pronto a perdoar-te, e a consentir que teu pai te leve outra vez para casa, e podes mais tarde herdar os seus bens; para isso basta que tenhas juízo e olhes pelos teus próprios interesses". Mas ele recusou com firmeza: "Estou pronto a sofrer", disse ele, "e Deus há de levar-me para o Céu. Não me importo de ter sido expulso de casa: hei de ter um lar melhor. Não tenho medo de morrer; a morte vai apenas conduzir-me a uma vida melhor".

Como o governador não pudesse persuadi-lo a que se re­tratasse, disse aos oficiais que o levassem para o poste e lhe mostrassem a palha e o feixe de lenha, esperando que isso o intimidasse, mas o rapaz resistiu à prova, e não manifes­tou sintoma algum de medo. O bom Pastor conservou-se muito próximo da sua ovelha atribulada, e não consentiu que o temor entrasse no seu coração; e o povo só pôde cho­rar e maravilhar-se. Quando voltou à presença do governa­dor e este lhe perguntou: "Estás agora resolvido a mudar de idéia?" - ele respondeu com intrepidez: "O vosso fogo e a vossa espada não me podem molestar: vou para um lar mais feliz; queimai-me depressa, para que eu chegue lá mais cedo"; e vendo lágrimas nos olhos de muitos especta­dores, disse: "Deveis estar contentes, e decerto estaríeis, se conhecesseis a cidade para onde vou". Depois disto foi no­vamente conduzido ao poste e ali amarrado; e puseram os cavacos e a palha em volta dele, e acenderam-nos. Mas os sofrimentos da criança bem depressa cessaram, e antes de o fumo da fogueira se dissipar completamente, já ele esta­va além do alcance do martírio e daquela terrível prova, e tinha entrado no "lar melhor" de que ele falara.